Friday, September 03, 2004

Na sala com Gangan

Gangan e eu. Eu e Gangan.

Gangan é traficante.

Sabe como assar um pato no microondas melhor do que ninguém.

Gangan, Novinho, Bem-te-vi, Dudu.

Favela da Mineira, Rocinha, Vidigal e Cantagalo.

A polícia que prender Gangan. A polícia ajuda a frustrar as tentativas da polícia.

Gangan é caridoso.

Dá dinheiro aos pobres. Dá aos pobres remédios, roupas, abrigo. "Patrocina" o transporte até os bailes funk.

Gangan é o bam-bam-bam (nos dois sentidos da palavra) do Terceiro Comando.

Gerencia o Rio de Janeiro, Cidade Maravilhosa cheia de versos mil.

Às vezes fico sem ter o que falar, aí mesmo, por não ter nada a dizer, fico falando sozinho.

Qualquer outra consideração é uma afronta.

Wednesday, August 25, 2004

A irmandade chavista

Sessenta e oito intelectuais e artistas brasileiros assinaram o manifesto “Se fosse venezuelano, eu votaria em Chávez”.

Há quem critique esta onda de manifestos que têm surgido ultimamente condenando guerras, repudiando associações com a ALCA, etc.

O argumento principal de quem faz tal crítica é um só: tais manifestos seriam absolutamente tendenciosos, buscariam agradar ideais particulares, rejeitando outros possíveis manifestos moralmente válidos mas que contrariam em parte suas convicções.
Ora, pois... Já que sugere então tal atitude, parta à batalha!

Críticas vazias não promovem ações, digníssimo amigo.

Talvez angariem cartas, e-mails e comentários, mas não movem o mundo.

Se te preocupas sobre a influência dos intelectuais e artistas na permanência de Chávez, e és contra, organiza-te e luta contra.

Do contrário, permanecerás um eterno idiota...

Se eu fosse venezuelano votaria com os brasileiros...

Wednesday, August 18, 2004

Ayrton Senna, o banal

O Brasil é ruim. Poderia ser pior.

Um “diz que me disse” disse que Frank Williams dissera recentemente que Ayrton Senna sonhava em se eleger presidente da República.

Mesmo sem reler velhas entrevistas de Senna, cheguei à conclusão de que a idéia me pareceu bastante boa.

Ayrton era uma pessoa com uma inteligência espacial bastante boa (vide seu sucesso nas pistas) assim como mantinha uma boa nota no que diz respeito a seus relacionamentos interpessoais (Xuxa, Adriane Galisteu). Parecia ser bom em matemática (acumulou milhões) e também era um cara espiritualizado.

Em vida, preocupou-se com a caridade e, depois de sua morte, sua família criou o Instituto Ayrton Senna, o que certamente lhe faria (fez? faz?) feliz.

Na forma de governo mais duradoura que se tem conhecimento, o da antiga China Imperial, os governadores das províncias eram escolhidos baseados em múltiplas provas que levavam em conta o conhecimento político regional, a argumentação lógica, o arco-e-flecha e, pasmem, a habilidade em música, em tocar um instrumento musical. Quem se saísse melhor na média de todos estes quesitos era considerado o melhor homem a governar determinada província.

Creio que, retirando-se o preconceito de gênero, esta seria ainda hoje uma forma válida para escolher um bom governante. Deveríamos encontrar uma pessoa que harmoniosamente equilibrasse bons níveis de inteligência lógico-matemática, pictórica, musical, intrapessoal, interpessoal, espacial, lingüística, corporal-cinestésica, naturalista e espiritual (aproveitando a Teoria das Inteligências Múltiplas de Howard Gardner) e, ao invés de um sufrágio universal “democrático” enviesado pela “distorção de informação” (J. Habermas) a que são expostos os movimentadores deste processo (nós, o povo) creio que uma espécie de “concurso público” para todos cargos executivos e legislativos seria uma saída alternativa ao péssimo sistema que hoje temos para escolher as incógnitas que irão nos governar.

Que tal, você aí que está me lendo agora, indo a aulas de balé, lendo “A Inteligência Emocional” do David Goleman e a revista Vida Simples, voltando a jogar bola e correr, treinando tricô, estudando teatro, preocupando-se com o meio-ambiente e com a busca de respostas aos problemas ecológicos que hoje vivemos, etc., tudo isso para se preparar para um novo concurso daqui a 4 ou 5 anos para conseguir um cargo público com uma boa renda mensal (que até há bem pouco tempo tinha seus vencimentos aumentados por ocupantes do cargo que agora você pleiteia)? Chance para todos! Existiriam cursos para formar “seres humanos completos” (?)! Durante toda sua vida, a cada 4 a 5 anos um novo concurso e uma nova chance (e você fica melhor em boa parte dos quesitos à medida em que envelhece e ganha experiência! – talvez não no cinestésico-corporal e no espacial) de ajudar seu país a melhorar!
Li em um artigo da Veja que a Ediouro publicou um panfleto de George Bernard Shaw entitulado “Socialismo para Milionários”. Nele, o dramaturgo propõe que os milionários não devem doar seu dinheiro à caridade, pois o mesmo produz um efeito maléfico ao tirar do governo a obrigação de cumprir sua função.

Ao mesmo tempo em que isto parece ser verdade, me parece que, somente por esta justificativa (desobrigar o governo a cumprir sua função), não deveríamos nos abster de um ato legítimo – auxiliar a outrem a subir nos degraus da vida.

Caro leitor milionário, de classe “média” ou pobre de “marré de si”, escute esta recomendação: chega de dar esmolas. Dê tudo de si, sempre e em todos os momentos e circunstâncias.

Não pense apenas em ganhar dinheiro.

Wednesday, August 11, 2004

As Olimpíadas do Pateta

Resolvi mudar meu visual. Ajeitei o cabelo e dei uma caprichada no cuidado da pele. Mas a preferência pela camisa azul não me larga. Essa vai comigo onde eu for!

Há algum tempo atrás, me lembro de escrever artigos sempre buscando uma rudeza básica que, ao mesmo tempo que trazia para mim uma certa antipatia por parte de alguns leitores mas também trouxe uma legião de fãs. Atualmente, tento fugir um pouco desta “agressividade forçada”, e ando me preocupando menos em irritar (ou agradar) aos leitores e estou sendo mais fiel com os fatos e suas mais prováveis verdadeiras interpretações.

Estamos em épocas de Olimpíadas. A cada quatro anos, temos uma nova chance de utilizar este “termômetro de desenvolvimento” que enaltece as façanhas de Estados Unidos, França, Alemanha e Inglaterra – mas também da Rússia e de Cuba.

É certo que nos últimos anos o Brasil não tem conseguido demonstrar claramente todo seu potencial. O “País do Futebol” nem conseguiu enviar sua seleção principal para lá neste ano... Em compensação, temos um dos melhores iatistas do mundo, uma campeã mundial de ginástica olímpica, campeões mundiais no voleibol de quadra e de areia e, se o futebol de salão fosse esporte olímpico, teríamos uma medalha garantida.

Li em uma revista esses dias acerca da propaganda nazista que fora sido feita com auxílio das Olimpíadas de Berlim em 1936. O autor, ironicamente celebrava, em contraponto ao filme de Leni Riefenstahl, o curta O Campeão Olímpico, estrelado pelo Pateta. É... aquele mesmo, o personagem de Walt Disney. No filme o astro tropeça nos obstáculos, se esborracha na pista e “vence Hitler”.

Dizia ele que a queda dos atletas brasileiros nestas Olimpíadas não teria a capacidade de derrubar Hitler, já que não temos nenhum no Brasil, mas tão somente, quem sabe, algum diretor do Banco do Brasil.

Posso afirmar, discordando do autor do texto que, se algo vai derrubar o diretor do Banco do Brasil não será o desempenho do Brasil nas Olimpíadas, mas tão somente sua (in)competência em gerenciar aquilo que lhe é determinado.

Quanto ao filme do Pateta, uma das grandes lições que o mesmo ensina em seu cândido filme, pode ser resumido em um trecho de uma música referente ao filme que, traduzida para o português fica mais ou menos assim:

“Você pode ser supercampeão,
Você pode ser um craque
Mesmo sendo supertrapalhão,
Ou um jogador de araque
Você pode ser supercampeão
Siga o exemplo do Pateta
Pois mesmo quando caiu,
Ele jamais desistiu
Ele é mesmo um grande atleta”

Saturday, August 07, 2004

Brasil, cúmplice de um crime

Este blog surgiu em resposta a um convite que recebi so site Simplicíssimo para manter uma coluna semanal em suas renomadas e refinadas páginas. Tal honra não fui capaz de negar e hoje mantenho por lá uma coluna chamada "Veja só quem está falando!"

Inauguro este meu novo espaço com meu primeiro texto enviado para a coluna acima referida.
Qualquer semelhança com textos e pessoas reais publicados em revistas semanais de grande circulação é mera coincidência. Ou não.


Brasil, cúmplice de um crime

Decidi iniciar nossa conversa analisando a viagem de nosso presidente Lula à África. Começo, pois: Sudão: um relatório divulgado por observadores da União Africana na região de Darfur, no oeste do Sudão, revela que civis foram acorrentados e queimados vivos durante um ataque de milicianos árabes no começo do mês de julho.

Conforme o documento, o ataque ocorreu quando a milícia Janjaweed invadiu um vilarejo, saqueou o mercado e matou dezenas de civis.

Em reunião da União Africana na capital da Etiópia, Adis Abeba, decidiu-se por enviar uma missão de paz de grande escala ao Sudão para desarmar os militantes e proteger os civis.
Aparentemente, os Estados Unidos estão se importando com a situação, que qualificaram até de "genocídio". E pensar que esta mesma nação é responsável por boa parte dos "genocídios" e mortes civis no século XX e entrada do século XXI. Só que, no seu caso, encontram nomes como "Tempestade no Deserto" e "Guerra contra o Terror" para substituir o termo que ora usam "nos olhos dos outros".

Eu bem que poderia agora começar a falar do presidente Lula e sua visita ao Gabão, torcendo que a visita diplomática ao país africano fosse, com jogos de palavras, confundida com minha concordância com o estado atual das coisas no Sudão, mas isso não seria muito correto.
Também poderia dizer que boa parte das informações que tenho foram catadas de última hora do Google para montar este texto, mas isso seria uma verdade dura demais para meus leitores. Poderiam deixar de me respeitar.

Assim, prefiro terminar em ritmo de samba (ou maracatu) este artigo inaugural, porque, para variar, não tenho muita coisa a dizer!